Sobre o livro



RESENHA:

O livro Kerouac narra a vida do escritor americano Jack Kerouac, um dos fundadores, junto a Allen Ginsberg e William Burroughs, do movimento artístico que ficou mundialmente conhecido como“Geração Beat”. Em meados dos anos 1950, este movimento era composto por jovens intelectuais americanos que, cansados da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra, resolveram criar sua própria revolução cultural através da literatura.

Por meio de uma narrativa veloz, João Pinheiro aborda os acontecimentos mais marcantes da vida de Jack, revê sua trajetória literária, suas conquistas, decepções, paixões, contradições, influências estéticas e sua relação com os Estados Unidos de sua época. Da mesma forma que para Jack e os beats não havia fronteira entre a literatura e a vida, os fatos desta narrativa se entrelaçam novamente com a vida, só que agora em quadrinhos.





APRESENTAÇÃO DE CLAUDIO WILLER  

Jack Kerouac escreveu uma obra ciclópica: além de On the Road, sua narrativa mais conhecida e de maior influência, criou relatos de viagens e memórias, poemas, crônicas, transcrições de sonhos e outros modos de experimentação através da escrita. Confundiu, como ninguém, literatura e vida. On the Road foi escrito em abril de 1951 de uma enfiada só, em três semanas, no famoso rolo de papel (que, em abril de 2004, seria arrematado em leilão por 2.420.000 dólares, recorde na categoria – ironias do destino, quando Kerouac morreu em 1969, tinha apenas 19 dólares em sua conta bancária ). Mas também é verdade que sua escrita demandou anos e foi a realização de um projeto que precedeu suas viagens. É o que mostram seus diários: ao terminar Cidade Pequena, Cidade Grande (The Town and the City) em 1948, decidiu que escreveria um novo livro, alternadamente designado como The beat generation e On the Road. Esses diários contém anotações de episódios das viagens em companhia de Neal Cassady, que depois integrariam On the Road.


Portanto, houve uma relação de mão dupla entre vida e obra; uma fusão de literatura e vida, buscando uma síntese, a superação da dualidade ou contradição do mundo simbólico e da realidade objetiva. Como já havia observado em meu Geração Beat, os beats em geral e Kerouac em especial são um exemplo de crença extrema na literatura, atribuindo-lhe valor mágico, como modelo de vida e fonte de acontecimentos, e não só de textos. Daí ser possível transpor Kerouac para os quadrinhos examinando simultaneamente e de modo harmônico aspectos de sua biografia e trechos de sua obra, como o faz João Pinheiro. Estão aí, citadas e mostradas, sua paixão pela literatura e sua firme determinação de tornar-se um grande escritor; sua religiosidade a coexistir, em um paradoxo apenas aparente, com o desregramento e dissipação; a intensa ligação com a música, especialmente o jazz que inspirou sua “prosódia bop”; os relacionamentos sempre complicados com mulheres. Também foram devidamente registrados momentos decisivos de sua vida: a infância em Lowell e a relação com seu irmão Gérard, a formação do grupo beat através da amizade com William Burroughs e Allen Ginsberg, o modo como renegou a Geração Beat em seus últimos e melancólicos anos de vida.

Reconhece-se Kerouac através desta adaptação. As cenas, fragmentos e trechos se somam, formando um todo coerente, um retrato do escritor. Pinheiro escolheu partes que dão conta do todo, daquilo que demandaria uma impossível adaptação integral. Há soluções particularmente felizes, como a abertura em estilo kerouaquiano e o fecho com poesia em prosa. Foi acertada a seleção não-linear de episódios relevantes – como aquele do trajeto de Nova Orleans a San Francisco com Cassady e LouAnne Henderson. A visão pessoal, a transmissão da sua experiência e fruição de Kerouac e dos beats em momento algum conflita com o bom registro histórico e com o valor documental que se espera de um tema como esse.

Talvez nem seja preciso enfatizar o traço firme, as imagens vigorosas, o bom uso do branco e preto, equiparando este Kerouac ao que se fez de melhor em matéria de “graphic novels” sobre a beat. Basta comparar com álbuns como The beats: a graphic history (de Buhle, Pekar e Piskor) para que imediatamente saltem aos olhos sua qualidade e capacidade de síntese.

Por essas razões, atrairá leitores e abrirá portas para a boa fruição de Kerouac. Irá contrapor-se a críticas depreciativas que, vez por outra, repetem os mesmos ataques conservadores que o autor de On the Road veio sofrendo desde o final da década de 1950. Já cheguei a observar, diante dessas recaídas no conservadorismo, que nem Francis Ford Coppola, nem Bob Dylan são bobos: criadores notáveis em seus campos, estão entre os que declaram que ler Kerouac mudou suas vidas. Isso, como parte do extenso cordão de escritores e artistas que receberam influência declarada de Kerouac e da beat. E de um impacto que extrapolou os campos da criação artística ao originar a contracultura, estimulando rebeliões de jovens, além de inspirar as transposições, versões e adaptações às quais agora soma-se este Kerouac de João Pinheiro.

Claudio Willer


"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."

Jack Kerouac.

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